O Que Fazer Durante uma Crise de Ansiedade: o Passo a Passo dos Primeiros Minutos para Voltar a Ter Controle

Homem sentado no chão encostado na parede, com a mão no peito, atravessando uma crise

Uma crise de ansiedade convence o corpo de que algo terrível está acontecendo agora: o coração dispara, o ar parece faltar, as mãos formigam, a cabeça avisa que você vai desmaiar, enlouquecer ou morrer. Nada disso vai acontecer, mas o corpo não sabe, e é o pavor da própria sensação que estica o episódio. A pergunta “o que fazer quando tem crise de ansiedade” não tem resposta mágica, e sim uma sequência que encurta os primeiros minutos em vez de alimentá-los. Não é fazer a crise sumir na hora, ninguém faz, é parar de jogar lenha nela.

Primeiro, o que está acontecendo com você

Entender o mecanismo no meio do desespero já baixa parte dele. A crise é o sistema de alarme do corpo disparando sem perigo real. Ele despeja adrenalina, acelera o coração e a respiração e manda sangue para os músculos, tudo para você correr ou lutar. Como não há do que correr, essa energia fica presa e vira os sintomas que assustam, os mesmos que o Ministério da Saúde relaciona às manifestações físicas da ansiedade. O que muda tudo é saber que esse estado, por mais intenso, é seguro e passageiro: o corpo não sustenta o pico por muito tempo, porque puxa o próprio freio. A crise sobe, chega ao topo e desce, sempre. Você não precisa fazê-la descer, precisa não impedir que ela desça.

A sequência dos primeiros minutos

Faça na ordem. Cada passo prepara o seguinte.

  1. Nomeie o que é. Diga a si mesmo: isto é uma crise de ansiedade, é desconfortável, mas não é perigoso e vai passar. Nomear tira parte do terror, porque o que mais assusta é achar que é um infarto ou uma loucura.
  2. Alongue a expiração. Não tente respirar fundo demais, isso pode piorar. Faça o contrário: solte o ar devagar, mais longo que a inspiração. Inspire em quatro tempos, solte em seis ou oito. A expiração lenta é o sinal físico que avisa o corpo que pode desacelerar.
  3. Ancore no presente com os sentidos. A crise vive no “e se”. Traga a mente de volta ao agora nomeando cinco coisas que você vê, quatro que ouve, três que toca. Isso ocupa a mente com o real e a tira do cenário catastrófico.
  4. Sinta os pés no chão. Repare no contato dos pés com o piso, das costas com a cadeira. O corpo que percebe onde está sai um pouco do modo alarme.
  5. Deixe a onda passar sem lutar. Em vez de tentar parar a sensação, observe-a subir e descer como uma onda. Ela chega ao pico e cede sozinha. Quanto menos você briga, mais rápido ela desce.

Três erros que esticam a crise

Tão decisivo quanto o que fazer é o que evitar. Sair do lugar em disparada alivia na hora, mas ensina o corpo que ali era perigoso e prepara a próxima crise no mesmo ponto; se der, fique até a onda ceder um pouco antes de se afastar com calma. Lutar contra os sintomas, forçar o coração a desacelerar ou o ar a entrar, só aumenta a ativação, quando é a aceitação que esvazia a sensação. E respirar rápido e fundo demais provoca a tontura e o formigamento que mais assustam, então, ao se perceber ofegante, foque apenas em soltar o ar devagar.

Mão apoiada sobre a mesa de madeira, ancorando no presente, com um copo de água ao lado

Depois que a onda cede

Quando a crise passa, o corpo fica exausto, porque gastou muita energia, e isso é normal. Beba água, vá para um lugar tranquilo e não se cobre por ter tido a crise. Se conseguir, anote enquanto está fresco o que veio antes, o primeiro sinal e o que passou pela cabeça. Esse registro é o que ajuda a prever e a espaçar as próximas, e conecta com o trabalho de fundo de acalmar o corpo pela respiração nos dias comuns, fora da crise.

Um plano de bolso para a próxima

No meio da crise ninguém lembra de lista nenhuma. Por isso vale deixar salvo no celular, em quatro linhas:

  1. Isto é ansiedade. É seguro e vai passar.
  2. Solto o ar devagar, mais longo que a inspiração.
  3. Cinco coisas que vejo, quatro que ouço, três que toco.
  4. Deixo a onda subir e descer. Não luto.

Ter o plano à mão tira a sensação de desamparo quando a crise chega, e só essa sensação de controle já reduz o tamanho do episódio.

Quando a crise deixa de ser episódio isolado

Uma crise pontual num momento de estresse extremo acontece. O que pede avaliação é o padrão. Vale procurar ajuda profissional se as crises são recorrentes e você vive com medo de quando virá a próxima, o que pode caracterizar transtorno de pânico; se você passou a evitar lugares ou situações por medo de ter uma crise ali; se elas atrapalham seu trabalho, seu sono ou sua vida social; se vêm acompanhadas de desânimo persistente ou pensamentos de que não vale a pena; ou se você passou a depender de álcool ou remédio para aguentá-las.

E procure uma emergência médica se for a primeira vez e você não tem certeza do que é, sobretudo com dor no peito que irradia para o braço, porque alguns sintomas cardíacos se parecem com crise de ansiedade e só um exame diferencia com segurança. Na dúvida, na primeira vez, avalie o coração. Crises de ansiedade têm tratamento eficaz: pela rede pública, a unidade básica de saúde é a porta de entrada, e o Ministério da Saúde informa que o CAPS pode ser procurado diretamente, sem encaminhamento. Em crise emocional, o CVV atende de graça e em sigilo, 24 horas por dia, no 188.

Se você está lendo isto longe de uma crise, faça só uma coisa agora: monte o seu plano de bolso de quatro linhas e deixe salvo onde acha fácil de achar. Metade do que apavora numa crise é a sensação de não saber o que fazer, e o plano pronto tira exatamente isso. Se elas se repetem, o plano é o alívio de agora; a avaliação profissional é a solução de fato.

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Antes de seguir: este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação de um psicólogo, psiquiatra ou médico. Mindfulness é prática complementar, não é tratamento. Se o sofrimento é persistente, atrapalha seu sono, seu trabalho ou seus vínculos, procure um profissional de saúde. Em crise emocional, o CVV atende de graça e em sigilo, 24 horas por dia, no 188 e em cvv.org.br.

Perguntas frequentes

O que fazer nos primeiros minutos de uma crise de ansiedade?

Nomeie o que é (isto é ansiedade, é seguro e vai passar), solte o ar devagar mais longo que a inspiração, ancore no presente nomeando o que vê, ouve e toca, sinta os pés no chão e deixe a onda subir e descer sem lutar. Não tente fazer a crise sumir; pare de alimentá-la que ela cede sozinha.

Crise de ansiedade é perigosa?

É intensa e assustadora, mas em si é segura e passageira. É o alarme do corpo disparando sem perigo real, movido por adrenalina, e o organismo tem um freio automático que puxa tudo de volta. O corpo não sustenta o pico por muito tempo. O que assusta são os sintomas, não um risco real.

Devo sair correndo do lugar durante a crise?

Evite. Sair em disparada alivia na hora e ensina o corpo que aquele lugar era perigoso, o que prepara a próxima crise ali. Se der, fique até a onda ceder um pouco e depois se afaste com calma. Fugir da situação reforça o medo dela.

Respirar fundo ajuda na crise de ansiedade?

Respirar rápido e fundo demais pode piorar, porque causa a tontura e o formigamento que assustam. O que ajuda é o contrário: soltar o ar bem devagar, mais longo que a inspiração. A expiração lenta é o sinal físico que avisa o corpo que pode desacelerar.

Quando a crise de ansiedade precisa de emergência ou de ajuda?

Na primeira vez, com dor no peito que irradia para o braço ou falta de ar importante, procure uma emergência, porque só um exame diferencia crise de ansiedade de problema cardíaco. Procure ajuda profissional se as crises são recorrentes, se você evita lugares por medo delas, ou se atrapalham sua vida.